sábado, 3 de janeiro de 2009

Retrato da cozinha de um solteiro PARTE II

Retrato da cozinha de um solteiro

Bem-vindo à cozinha de um solteiro!!!
hahahaha
Dê boas gargalhadas com o ARROZ INFALÍVEL.
Eu particularmente gostei da lavagem do arroz.
Passa todas as sextas, por volta da 0h no Canal Brasil.
Como diz o personagem: "Informe-se!" hehehe


sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Tempo, tempo, tempo...

Essa época do ano, férias para muitos, trabalho para poucos, me leva a pensar um bocado sobre o tempo. Basta entrar dezembro para que todos entrem numa euforia louca para que acabe mais um ciclo de 365 dias (ou 366, caso do nosso bissexto 2008, que levou até o Big Ben a atrasar 1 segundo - dizem que é porque a Terra não é tão precisa quanto os nossos relógios atômicos... que fina ironia! Não há cálculo preciso que desafie a natureza).
O velho enredo: todos correm para sacar seus salários, para comprarem seus presentes, para ajeitar o carro, para comprarem a passagem do ônibus, para não o perderem e até para não deixar de 'viver' a tradicional meia-noite. Troca a roupa, pega a champanhe, corre para ver a chuva de fogos (cansa só de pensar!).
Tudo para depois das doze badaladas do dia 31 de dezembro pensarmos: "Puxa vida, quanto esforço para viver apenas alguns minutos!". Fica a experiência máxima do sabor extraído dos ponteiros. Tic, tac, tic, tac! Blém, blém, blém... E cá estou cometendo um anacronismo. Que ponteiros? Ora, temos os dígitos.
Engraçado tudo isso.
Às vezes penso que este tal de tempo é uma entidade pronta a me devorar. E de repente pinta aquela cena de Cronos na mitologia grega (Saturno, para os romanos) devorando seus filhos, com medo de ser destronado por eles. Corro para não chegar atrasado, torço para que passe mais devagar ou então que simplesmente passe! Ufa! Ave, Cronos!
Mas o bom mesmo é poder aproveitar o tempo e fazer o que quiser! Deleitar-se nas linhas de um livro até o fim (quanto tempo não faço isso). Ouvir um disco inteiro sem se dar conta. Ver um filme. Viver momentos com amigos ou pessoas especiais. Ter a capacidade de rir de nós mesmos. Pronto! Até que o tempo não é tão carrancudo como pintam.
De repente, leio que em Roma havia as Saturnálias, em honra ao próprio Saturno. Em uma festa celebrada em dezembro, os escravos davam as ordens aos senhores. Faz sentido. Teríamos uma momentânea compensação àqueles que labutavam no campo, já que lá este deus era vinculado à agricultura. Parecido com o que vivemos, não? Hoje temos o 13º salário, os presentes, as férias... Afinal, temos que ter um alguma recompensa.
Mas celebremos o tempo, que é a melhor forma de vivê-lo. Vamos aproveitá-lo com prazer e vivê-lo intensamente.

E que todos tenham um feliz 2009!

Ótimo para o ano novo!

"Cace a liberdade que anda tão rara
Liberdade de pensamento, de atitudes
Vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários
Cace o amanhã, o novo
O que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos
Vá atrás do que é surpreendente, o que se expande na sua frente
O que lhe provoca prazer de olhar, sentir, sorver...
Olhe para sua cidade com olhos de estrangeiro
Como se você fosse um turista.
Abra portas.
E páginas."
(Martha Medeiros)

domingo, 28 de dezembro de 2008

Domingo na vila

Insuportável o calor das quatro paredes do apartamento. Mas mais insuportável ainda é olhar pela janela (sim, o sujeito busca a janela quando já não aguenta mais a gaiola sob a qual está preso) e ver que tudo está quieto, imóvel, como naquelas cidades do Velho Oeste Americano ilustradas em filmes de "bang bang". Estou falando da região do Cedeteg e, para quem não sabe, trata-se de um campus da Unicentro que fica vazio nesta época do ano. Só não tão vazio pela presença dos vigias que circulam vez ou outra.

Mesmo que haja sol brilhando, pássaros cantando e toda aquela coisa que você só consegue reparar num domingo, é tudo muito chato. Especialmente num 28 de dezembro.

Aí resolvi arranjar um motivo pra sair da aridez. Apanho uma nota de R$ 5 e vou atrás de uma coca gelada para acompanhar uma bacia cheia de pipocas com orégano no retorno ao lar. Pelo menos assim me desintoxico do ambiente de concreto fechado tomando um pouco de ar puro.

No caminho pela vila, descubro que há sim vida na vizinhança, mesmo num fim-de-semana entre o natal e o reveillon.

Estão lá:

o sorveteiro que vende 4 "picolés de sorvete" (como ele anuncia) montado em uma bicicleta e uma caixa de som "por apenas 1 real! É isso, mesmo! Por apenas um real... real... real", lançando eco sob o quarteirão.

a família caminhando na rua, provavelmente voltando do almoço na casa da vó. E as crianças já agitadas páram o sorveteiro.

um senhor fazendo a manutenção do carro, provavelmente aprontando para aquela viagem de fim-de-ano.

pessoas olhando um imóvel pra locação e fazendo planos.

o casal que vai à padaria.

a conversa que se ouve das casas a contar ou desabafar as coisas do cotidiano.

a simplicidade do próprio sorveteiro, que encontrei no início da caminhada - boné na cabeça, botas sobre as calças (naquele calor!), pele queimada do sol. Ao se deparar com um problema na corrente da bicicleta numa esquina, se conforma: "bah, até esperar o patrão chegar, vou ouvindo uma musiquinha...", disse lançando um sorriso.

E sai um sertanejo daqueles chorosos levados ao vento numa paisagem que, aparentemente inerte, esconde muitos personagens.

Um sopro de vida dominical pra quem ousa sair de suas 4 paredes. Assim, com sabor de coca e pipoca.